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VOZ ACTIVA | Carta para cima

Por Daria Galuziak

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Tenham

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Por que é que eu, uma rapariga de 17 anos, tenho de pensar em como resolver os problemas que os adultos criaram sem pensar em nós, os mais novos?

Ninguém me vai responder.

Estudo numa escola que se preocupa muito com o futuro do nosso planeta, com um ambiente saudável. Uma escola com cerca de 200 crianças que se preocupam com o estado do mundo que nos rodeia e que querem sinceramente fazer mudanças no ambiente, no nosso futuro, para ajudar a Terra e as pessoas à nossa volta.

As crianças dos cinco aos 18 anos participam em festivais para angariar dinheiro, alimentos e outros artigos para os necessitados. Numa das minhas aulas de Governo, um colega fez uma apresentação sobre justiça ambiental. A apresentação pareceu ter um impacto muito grande na nossa turma e nos meus colegas. Por isso, durante o debate posterior à apresentação, tivemos algumas ideias muito interessantes. Algumas ideias interessantes saíram-me da cabeça.

O problema do ambiente parece muito grande, imenso, invencível, incompreensível, confuso e assustador. Mas.

Vou dizer-vos uma coisa simples – temos de começar por nós próprios. Comprar menos uma t-shirt, plantar uma árvore pelo menos uma vez na vida ou apanhar o lixo na rua e deitá-lo no caixote do lixo. Isto é o mínimo. Algo óbvio, algo que não é preciso lembrar às pessoas e, se for, a humanidade está num grande buraco. E é verdade, estamos nele.

Mas nem sempre é só uma pessoa, nem sempre sou só eu.

Porque, como posso recusar-me a comprar uma t-shirt quando as empresas me pressionam de todos os lados através de tendências e redes sociais, entrando sorrateiramente no meu telemóvel e tentando vendê-la a mim, uma adolescente cuja opinião pode ser facilmente influenciada e manipulada. E as empresas fazem exatamente a mesma coisa, vendendo as suas t-shirts inúteis, criando tendências, publicidade, e assim por diante, num círculo. Como resultado, temos ilhas inteiras de roupas descartadas.

Como é que eu posso plantar uma árvore se sei que ela vai acabar por ser cortada e vendida? Por que é que hei-de plantar uma árvore se sei que o seu destino é enriquecer a carteira de alguém? De que serve manter a rua limpa se sei que o lixo que apanho vai parar a uma lixeira, onde será esquecido? Não será reciclado, será simplesmente deixado num aterro sanitário onde continuará aa envenenar a nossa Terra.

Cada pequena ação corajosa que tomo é esmagada contra a carteira, o poder e a indiferença de alguém.

Mas as pequenas acções continuam a fazer sentido. E as pessoas pequenas e preocupadas continuarão a fazer as suas grandes acções. Apenas lembrem-se – a paciência humana não é eterna, o silêncio humano não é eterno. Por isso, ao fechar os olhos ao problema agora, só está a aumentar o buraco em que vamos acabar. Em que acabaremos.

Mas, por que é que estão a tentar arrastar-me para esse buraco?
Peço-vos que não me arrastem convosco.
Dêem uma oportunidade às pessoas pequenas de transformarem as suas pequenas acções em grandes acções. Acções globais. Dêem-lhes uma oportunidade.

Salvem o nosso futuro.

Letter up

Why should I, a 17-year-old girl, have to think about how to solve the problems that adults have created
without thinking about us, the younger ones? 


No one will answer me.

I study at a school that is very concerned about the future of our planet, about a healthy environment. A
school of about 200 children who are concerned about the state of the world around us and who
sincerely want to make changes to the environment, to our future, to help the earth and the people
around us.
Children aged 5 to 18 take part in festivals to raise money, food and other items for those in need.

In one of my Government classes, my colleague gave a presentation on environmental justice. This
presentation seemed to have a really big impact on our class and on my colleagues. So during the
debate after the presentation, we came up with some very interesting ideas. Some interesting ideas
came out of my head.

The problem with the environment seems very big, immense, invincible, scary and incomprehensible,
confusing and frightening. But. 
I will say a simple thing – you have to start with yourself. Buy one less T-shirt, plant a tree at least once in
your life, or pick up the rubbish on the street and throw it in the bin. This is the minimum. Something
obvious, something that you don’t need to remind people of, and if you do, humanity is in a big pit. And
it’s true, we are in it.

But it’s not always just a person, it’s not always just me. 
Because how can I refuse to buy a T-shirt when companies are pressuring me from all sides, through
trends and social media, sneaking into my phone and trying to sell it to me, a teenage girl whose opinion
can be easily influenced and manipulated.
And companies do the exact same thing, selling their useless T-shirts, creating trends, advertising, and
so on in a circle. As a result, we have whole islands of discarded clothes.

How can I plant a tree if I know it will eventually be cut down and sold? Why should I plant a tree if I
know that its destiny is to enrich someone’s wallet?

What’s the point in keeping the street clean if I know that the rubbish I pick up will end up in a dump
where it will be forgotten? It won’t be recycled, it will just be left in a landfill where it will continue to
poison our land.

Every little brave action I take is smashed against someone’s wallet, power and indifference.

But small actions still make sense. And concerned little people will continue to do their big things. Just
remember – human patience is not eternal, human silence is not eternal. Therefore, by turning a blind eye to the problem now, you are only increasing the hole we will end up
in. 

But why are you trying to drag me into that pit? 
I’m asking you not to drag me down with you. 
Give small people a chance to turn their small deeds into big ones. Global ones. Give them a chance.
Save our future.

.

Daria Galuziak, estudante internacional. Esta mensagem foi escrita em contexto de sala de aula no Colégio de S. José, em Coimbra. Na disciplina de Governo (Government), leccionado por Maria José Pessoa, o objetivo é «proporcionar mediações que conduzam a uma tomada de posição sobre o sentido da existência, contribuindo para a compreensão da articulação constitutiva entre o ser humano e o mundo e a sua dinâmica temporal, assumindo a responsabilidade ecológica como um valor e um requisito inevitáveis».

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