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A fazer uma olla

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O EcoCampus do ISEC

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Na Casa do Jardim

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Com a Coimbra em Transição

CULTIVEM

Nas hortas do Ingote e da Misarela

Há mais hortas urbanas a crescer em Coimbra

A principal colheita é a boa energia. Da Escola Básica de Vilela ao EcoCampus do Instituto Superior de Engenharia, passando pelo Ingote e a Misarela, acrescentamos mais pontos no mapa do cultivo no município. E parte dele acontece por iniciativa da autarquia.

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Fotografia: Mário Canelas, Diogo Peixoto e outros

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Nas hortas do Ingote e da Misarela

Os alunos são gentilmente conduzidos da sala de aula para o exterior da Escola Básica 1 de Vilela (EB1), zona norte de Coimbra, e alinhadas na orla da horta pedagógica da escola. Em conjunto com outros responsáveis, os vereadores Ana Cortez Vaz e Francisco Queirós, com tutelas que abrangem a temática da educação e das hortas na Câmara Municipal de Coimbra (CMC), apresentam o projecto Horta da Escola, dirigido às escolas do município. Das 84 escolas do concelho, agora 49 têm hortas pedagógicas como a de Torre de Vilela. O projecto pretende dar acompanhamento técnico para a criação e manutenção de hortas escolares, acompanhando-o com um caderno informativo como ferramenta pedagógica.

Celebra-se a ocasião com a plantação de mais uns quantos vegetais pelas mãos das crianças, pedagogia de mãos na terra, a juntar a outras sementeiras que, depois de colhidas, serão cozinhadas e consumidas no espaço escolar. Os benefícios são notórios. As crianças aprendem os ritmos da natureza e a sazonalidade dos alimentos e a aprendizagem é apenas o primeiro passo, a semente para o adulto. Num período em que ganha força a proximidade ao alimento e à sua origem, o tema da agricultura urbana ganha dimensão. A CMC pretende ampliar o número de hortas pedagógicas, assim como aumentar o número de hortas urbanas existentes em Coimbra. A cidade não se resume a edifícios e vias de circulação, é também o alimento para a boca e o espaço onde o produzir.

Hortas urbanas do Ingote

Já tínhamos falado das hortas sociais do Bairro do Ingote (e outras da cidade). Organizam-se dispostas em socalcos com três núcleos num total de 25 talhões, conforme informa a CMC, promotora em parceria com a Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC). No final de 2023, foi feito um novo procedimento concursal para 14 talhões que estavam desocupados, com vista a «relançar todo o projecto». Uma dezena de talhões será entregue aos interessados que concorreram, estando ainda quatro disponíveis, conforme explicado pelos vereadores Francisco Queirós e Ana Cortez Vaz. Os inquilinos são responsáveis pelo seu talhão, com área de 150 m2, que conta com um compostor, contador de água, casa de ferramentas e um depósito de captação de águas pluviais. Não podem utilizar pesticidas e adubos, nem ter animais de criação.  

Manuel Silva serve de anfitrião às hortas do Ingote, caminhando pelos trilhos que conduzem aos socalcos plantados na periferia dos prédios do bairro. É vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro do Ingote. Mostra com orgulho o que planta, tem couve, tomate, pepino, chuchu, a que se dedica por algumas horas além do trabalho de arranjo de bicicletas, no espaço que tem em São Sebastião. «Já estou aqui há 30 anos, isto faz bem. Dá-nos anos de vida, é melhor do que um hospital, [tem] ar fresco e não se ouve a cidade.»

Coimbra esconde-se para lá de um manto de árvores. A cuidar das suas hortas encontramos também Vítor Coelho e João do Ferro, que trata ainda da leira do genro. Indiferente aos visitantes, a gata Chica circula entre plantas. Ao fim-de-semana junta-se mais gente, cerca de uma dezena de pessoas. Vítor tem orgulho no espigueiro que tem no seu talhão, onde incluiu algumas travessas recuperadas do caminho-de-ferro. Esta estrutura é singular em Coimbra, ademais sendo os espigueiros candidatos a Património Imaterial da Humanidade. Recupera umas videiras antigas e considera cultivar cogumelos numa antiga coelheira desocupada. João está a fresar parte do terreno e peneira com uma ciranda, retirando as pedras em excesso. «Ocupo o meu tempo na horta, estou reformado», partilha, «mas também cultivo para consumo próprio. É bom para o corpo e para a cabeça. Uma pessoa vem para aqui e esquece-se de tudo».

Os inquilinos manifestaram algum descontentamento por não poderem ter animais e pelo estado degradado dos degraus entre os diversos socalcos das hortas, manutenção que é da responsabilidade dos serviços camarários. A CASA – Centro de Apoio ao Sem Abrigo e o projecto Trampolim E9G, de que falámos recentemente, chegaram a cultivar alguns talhões no Ingote. A CASA, conforme explica Helena Pereira, teve de devolver as hortas à CMC «porque o contrato de cedência já não se encontrava em vigor». Foram recentemente contactados pela CMC para a entrega de novos terrenos, mas não os que cuidavam anteriormente, pelo que «as famílias que cultivavam ficaram desapontadas e não querem continuar com o projecto».

O projecto Trampolim, que surgiu em 2004, como recorda Vera Silva, «há cerca de cinco anos ou mais, teve uma actividade onde se incluía a exploração de um terreno nas hortas do Ingote com as crianças e jovens do bairro, contudo, a actividade terminou. Neste momento não temos e nem prevemos nenhuma acção nesse sentido».  

A horta do EcoCampus do ISEC

Somos recebidos na horta do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) pelo professor Arménio Correia e pelo jardineiro Sílvio Oliveira, ambos já com três décadas de casa. O campus do ISEC tem 5 hectares, o espaço da horta são 535 m2, onde colaboram entre uma e duas dezenas de alunos e funcionários.

Arménio Correia recorda que, em conjunto com os vizinhos do prédio onde mora, na Pedrulha, transformou em horta comunitária um espaço cheio de silvas. Veio fazer o mesmo no ISEC num espaço subaproveitado, onde antes era depositado entulho. Arménio chama à horta de «menina dos olhos do EcoCampus», porque é uma actividade permanente. Outra actividade é a plantação de árvores de fruto pelo campus, que ensina a cuidar e podar. Todos os campi do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), como o ISEC, constituem EcoCampus, cuja categorização compreende a «adopção de vários comportamentos sustentáveis» definidos pela Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação (ABAAE).  Enquanto EcoCampus, o ISEC recebeu a bandeira verde que sinaliza as boas práticas enquanto Eco-Escola. Além da horta e da plantação de árvores, fazem também actividades externas, como a descida do Rio Mondego, em que vão limpando as margens.  

A horta parece despida agora, mas tem que ser dado tempo à Natureza, o apogeu é atingido em Junho e Julho. Arménio diz que «ao fim-de-semana isto é o meu escape, uma horta não é só plantar, isto também é o meu ginásio». O espaço tem um furo, um compostor que é alimentado pelos bioresíduos da cantina e do bar do ISEC e só trabalham com cultura da época. Como não usam pesticidas ou insecticidas, usam chorume de urtiga como fertilizante e pesticida natural e plantam cravo-túnico na periferia da horta para afastar a toupeira.

Esta horta é um campo de aprendizagem e é o primeiro EcoCampus a atribuir créditos suplementares ao diploma aos alunos que dele fazem parte. Costumam fazer mostra dos produtos hortícolas colhidos da horta no Pavilhão Polivalente do ISEC, sem ser para venda, é para que alunos e docentes possam levar. Quem quiser deixar algum contributo é bem-vindo, para despesas com sementes ou estrume de cavalo. «Toda a gente que vem aqui não fica de mãos a abanar, os que trabalham [na horta] levam sempre o que houver. Alguns são alunos carenciados, mas também oferecemos a instituições da cidade, como o Centro Social da Pedrulha, o Centro Social de Torres do Mondego, a Cozinha Económica da Associação Integrar. O último almoço da Mancha Negra de sem abrigo com a Integrar, levámos 501 couves daqui. Tocamos assim nos ODS», acrescenta Arménio, «Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, o sermos solidários».

Horta comunitária do Casal da Misarela

Passando a aldeia de Casal da Misarela no sentido de Penacova, sobre um meandro do Rio Mondego, há vários talhões explorados por mais de dezena e meia de hortelãos vindos da cidade. O presidente da junta de freguesia de Torres do Mondego, Paulo Cardoso, refere a «enorme riqueza destes terrenos de aluvião» na margem do rio e assinala o grande interesse da junta em que sejam cultivados, acrescentando que «algumas das culturas vão sendo feitas e são muito proveitosas, não são mais porque as pessoas não investem naquilo». A junta ajuda a horta com a limpeza do terreno e enchimento dos depósitos de água, com a expectativa de que «estes terrenos, anteriormente abandonados, sejam novamente cultivados e que tragam pessoas de fora a conhecer o território».

Patrícia Esteves, criadora da plataforma de informação sustentável Uniplanet, é a orientadora da horta comunitária da Misarela e tem larga experiência na criação de hortas pedagógicas e comunitárias em Coimbra. Em 2018 teve a ideia de criar uma horta comunitária para aprender a produzir os seus próprios legumes. Soube que cediam este terreno gratuitamente e criou a horta. Os interessados preenchem o formulário e recebem um talhão gratuito onde podem cultivar o que quiserem. A única regra é que não podem usar pesticidas químicos, sendo o custo de ferramentas e outros materiais a dividir por todos. Patrícia diz que «ao longo dos anos já passaram vários grupos pela horta, algumas pessoas ainda estão no projecto, outras mudaram de cidade ou passaram a ter os seus terrenos, mas aprenderam sempre alguma coisa [na Horta da Misarela]». Está a ponderar criar outra horta comunitária, desta vez em Santa Clara.  

Semear e colher

A CMC definiu vários espaços para a criação de mais hortas urbanas, como apontado por Francisco Queirós, com «enorme potencial, desde a zona da Portela, São Martinho do Bispo, junto à ESAC, e nas zonas baixas junto à estrada do Loreto, entre outras». A autarquia «está a privilegiar a criação de raiz», assinala Francisco Queirós, «de um projecto de hortas comunitárias na Quinta da Maia», estando em desenvolvimento um acordo com a Cooperativa Mondego para a manutenção dos espaços verdes e das hortas, numa «gestão de proximidade». Até à data de publicação desta reportagem a Cooperativa Mondego não respondeu às nossas perguntas.

Além dos projectos referidos, há outras iniciativas como o Coimbra em Transição e a Casa do Jardim – leiam nos separadores pop up azul em cima – e a horta comunitária da Critical Software, em Taveiro, que nos informaram que está em recuperação. Em formato comunitário ou pedagógico, a motivação dos hortelãos de Coimbra para fazerem agricultura urbana continua a servir diversos propósitos, coincidindo no interesse pela qualidade alimentar, pelo prazer de cultivar a terra e pelo fazer crescer os seus próprios alimentos. 

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