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5 vantagens dos microvegetais

«Quero ser considerado um agricultor, mas um agricultor do futuro»

O jovem empreendedor André Aleixo semeia macro experiência com microvegetais, em Coimbra, e acredita que brevemente pode tornar-se o maior produtor nacional das pequenas iguarias naturais.

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Fotografia: Mário Canelas

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5 vantagens dos microvegetais


Uma pequena sala de vinte metros quadrados. Estantes metálicas equipadas com ventilação, irrigação e luz artificial. Nelas, por mais improvável que possa parecer, crescem todos os dias rabanete, rúcula, acelga, cenoura, mostarda, agrião, brócolos, coentro, manjericão, ervilha, cebolinha e até jambu, planta nativa da região amazónica. A imagem incomum desta microárea de cultivo encontra-se numa antiga garagem em Antanhol reestruturada por André Aleixo, jovem estudante de Biologia que, há dois anos, está à frente do projeto Verdes do Mondego.

Trata-se de um ousado empreendimento de horticultura vertical com o cultivo de mais de vinte variedades de microvegetais que já podem ser saboreados em mais de dezoito restaurantes em Coimbra, além de serem comercializados todos os sábados no Mercado Municipal.

A inovação é a semente que vigora em todas as fases deste projeto e a solução para uma série de entraves naturais comuns àqueles que se propõem a adentrar no mundo do plantio e da colheita. Sem que seja necessário um terreno em excelentes condições e ausente dos riscos climáticos, a cultura dos microvegetais realizada por André Aleixo acontece inteiramente em ambiente controlado e com o mínimo de impacto possível na natureza.

«O que as pessoas vão encontrar aqui é um alimento produzido de uma maneira completamente diferente. Tudo é produzido num ambiente controlado e sem uso de insumos, nem pesticidas. O nosso objetivo é oferecer o melhor produto possível na fase mais concentrada de todo o ciclo de vida dos vegetais». André, que nunca havia trabalhado com o cultivo de qualquer tipo de vegetais antes, não hesita em afirmar ter encontrado na agricultura um caminho para seus anseios profissionais:
«Eu quero ser considerado um agricultor, mas quero ser considerado um agricultor do futuro.»

Mais do que um produto, uma experiência

Como todo bom agricultor, André Aleixo defende a ideia de que apenas boas sementes podem gerar bons frutos, ou melhor, bons microvegetais. «Para a produção de microvegetais, temos que priorizar sementes ainda de maior qualidade e rigor do que as sementes convencionais», explica André.
Maior qualidade produtiva significa também uma maior sustentabilidade da empresa e uma maximização dos benefícios aos clientes.

É este o ponto principal buscado diariamente por André, que garante não vender apenas um mero produto, mas sobretudo uma experiência. «Queremos que os clientes passem por toda a experiência de comprar um produto que é bonito, simétrico e extremamente saudável. Nós não vendemos apenas o produto, priorizamos toda a experiência que se leva junto do nosso produto e da nossa empresa. Isso é o fundamental».

Microvegetais, macro sabor

Ana Paula Galdecio é cliente de André há mais de um ano e vai semanalmente ao Mercado Municipal em busca da sua pequena embalagem reutilizável preenchida de rúcula, coentro e outras variedades.
«Gosto muito do sabor dos microvegetais, são mais demarcados, um pouco diferente. A minha opção é pelo sabor mais do que pelos nutrientes.» Essa percepção de Ana Paula é endossada por André que, após uma série de estudos a respeito desta cultura e dois anos de contato direto com os desafios e os
sucessos desta prática agrícola, afirma serem os microvegetais, de facto, muito diferentes dos vegetais comumente consumidos na fase adulta. A diferença está, sobretudo, na coloração mais forte daqueles e no perfil de sabor também com distintas nuances e intensidades.


«Uma das coisas que noto muito no Mercado é o facto de que as pessoas que gostam de coentro gostam ainda mais do nosso coentro, porque por ele estar a ser consumido nesta fase de microvegetal não tem aquela seiva tão ácida, o sabor é mais delicado.» Tomás Castro, um «ávido consumidor dos germinados» como ele próprio diz, aposta na experiência completa: compra os microvegetais Verdes do Mondego ainda no vaso e passa a cortá-los diariamente para o uso que, afirma, estende-se também para os filhos

É justamente de uma memória afetiva da infância de onde parte a relação próxima de Eva Sofia Fontes, atualmente com 25 anos, com o consumo dos microvegetais. «Passei a consumi-los com mais frequência recentemente, mas já tinha provado quando era criança e lembro-me de gostar muito. Na infância, plantávamos o agrião em casa na tampinha da caixa de manteiga e comíamos assim, logo após germinarem». Para ela, o uso dessas pequeninas doses de alimentação saudável funciona
como um excelente incremento em refeições simples. «Gosto de fazer ovo mexido e colocar um bocadinho dos microvegetais em cima, ou faço uma saladinha. Não digo assim que é essencial, mas é certamente especial.»

Semear um futuro mais verde

Com vistas aos próximos passos necessários para a expansão produtiva da Verdes do Mondego, André confirma que, até o fim do verão, já deverão estar prontas as novas instalações num espaço em que será possível expandir também a experiência do consumidor. «Queremos que nossos clientes possam conhecer o espaço, todo nosso processo produtivo e tenha uma experiência mais próxima possível do ambiente rural». Localizado numa área mais rural da zona de Santa Clara, o novo galpão de
apenas 16m² resultará em uma área de cultivo que representa 60 m², isto é, uma produção três vezes maior do que a atual. A perspectiva é um aumento da produção atual de 750 vasos mensais para 1800.

«O nosso novo local de produção é menor do que o atual, porém prevê um aumento significativo na produção. O nosso desafio tem sido criar um sistema o mais automatizado possível e com o maior uso da área vertical que temos. É claro que isso encarece as coisas e levanta muitos problemas em termos de engenharia como, por exemplo, fazer chegar a água, a luz e o fluxo de ar a dois metros de altura. O nosso objetivo é criar o sistema mais eficiente possível e aumentar ainda mais o padrão de segurança da produção. Se tudo correr conforme o esperado, em pouco tempo seremos o maior
produtor de microvegetais de todo o país.»


Também com os olhos no futuro, André tem o projeto de produzir e patentear um substrato 100% nacional, sustentável e próprio para o cultivo dos microvegetais. Essa, porém, é uma etapa que demandará mais tempo e estudo, mas que, se efetiva, poderá redefinir os rumos da produção de substrato em Portugal.

Tradição e inovação

Lado a lado todos os sábados no Mercado Municipal de Coimbra encontram-se André Aleixo e seus microvegetais Verdes do Mondego e Dona Almira, agricultora que, há 42 anos vende beterrabas, couves e outros variados produtos no mesmo local. Dona Almira tinha 28 anos quando começou a comercializar seus legumes e vegetais no Mercado Municipal. André está com 25 anos e é o produtor mais jovem a ocupar uma das bancas do Mercado.

Este é o exímio retrato da convivência possível e estimulante entre a tradição, representada por Dona Almira, e a inovação na produção agrícola, vista como necessária por André. Se para dona Almira a comercialização de seus produtos no Mercado Municipal tem sido o sustento de sua família há quase meio século, para André a sua recente colocação neste nicho é um modo efetivo de difundir a cultura dos microvegetais e de popularizar a sua inserção na rede alimentar dos consumidores. Com histórias tão distintas, ambos estão também lado a lado quando se trata de apontar os avanços das melhorias estruturais já realizadas no Mercado Municipal e, sobretudo, de frisar a necessidade de melhorias também voltadas para a estrutura de acesso ao mercado e para a experiência do cliente.


«O Mercado, hoje, está muito melhor do que quando eu comecei. Naquela época, nem sequer havia bancas fixas para os produtores. Todos os sábados tínhamos de tirar senhas para tentar conseguir um espaço aqui», relembra dona Almira. Para o jovem André, muitos desafios ainda estão no caminho e as melhorias devem continuar a acontecer. «Penso que o Mercado Municipal ainda pode melhorar muito na questão do acesso dos clientes com a ampliação do estacionamento, que é insuficiente. Também pequenos detalhes podem fazer a diferença como, por exemplo, a distribuição de sacos a preço de custo para os clientes, também de carrinhos para as compras serem feitas com mais
conforto. Se atentarmos para isso, o Mercado Municipal jamais desaparecerá».

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