Não é invulgar perguntarem-nos o que fazemos, que é jornalismo de soluções numa revista digital, que é a ferramenta de uma associação sem fins lucrativos com a missão de mobilizar a comunidade para a participação cívica. Logo a seguir vem a pergunta sobre como nos financiamos. E nós também respondemos que é com o apoio de quem nos lê e/ou se revê na nossa missão. Mas mais do que explicar o que fazemos, gostamos de falar sobre o que acontece quando o fazemos, porque apesar de ser desafiante, o nosso trabalho é gratificante na mesma medida e isso vê-se pelo nosso impacto.
Este ano, esta micro equipa, constituída por duas pessoas a trabalhar a tempo inteiro e oito em regime freelance, publicou 329 histórias e desenvolveu iniciativas, provocou encontros, construiu comunidade e dinamizou a vida e agenda locais.
Em números:
➕ de 433 mil pessoas visitaram o nosso website
➕ de 640 mil de visualizações
➕ de 3 500 pessoas recebem as nossas newsletters
➕ 11 mil seguem-nos no Instagram
➕ de 20 mil no Facebook
Fizemos tudo sozinhos? Claro que não. Contámos com dezenas de voluntários, parceiros e cúmplices.
Geração Coolectiva
Como achamos que só contar histórias é fazer metade do trabalho, no final de Janeiro arregaçámos as mangas e organizámos a Geração Coolectiva. Foi um enorme sucesso. Mais de uma centena participou no nosso momento de geração de ideias e soluções para os desafios da nossa cidade e cerca de meia centena fez, logo a seguir, o nosso programa de capacitação. Em sessões semanais, com mentores especializados e que também se revêm na nossa missão, consolidaram e desenvolveram essas ideias.
Quatro projectos ganharam forma e foram para o terreno este ano: o Humanizar a Saúde em Coimbra, o Eu Também, o Citizeen e o Serve The City .
O primeiro, fez várias acções de sensibilização ao longo do ano, sempre com casa cheia. O segundo fez sobretudo acções de rua e a última foi a de plantar tabuletas com a mensagem «Quero Ser uma Árvores» em dezenas de caldeiras vazias, obtendo a atenção não só da comunidade como do município que reagiu e anunciou medidas de replantação. Mais: inspirou pessoas que replicaram o gesto em cidades como Lisboa e o Porto.
Depois de contarmos com o testemunho de Alfredo Abreu, fundador do Serve The City, no arranque da Geração, uma das voluntárias da rede internacional fez o programa de capacitação, cobrimos um jantar comunitário e ficámos em contacto. Quando os Coldplay vieram dar quatro concertos a Coimbra, co-organizámos a tertúlia A música é um poder maior? em conjunto com a Love Button (movimento global que tem o cantor Chris Martin como embaixador).

A opinião de quem nos lê
Enviámos um inquérito de avaliação e 293 pessoas responderam com informações preciosas que vamos ter em conta para o nosso trabalho, para que seja o mais útil e construtivo possível.
Antes de mais, saibam que 40,3% diz que acompanha o nosso trabalho através da newsletter, 33,8% das redes sociais e 22,6% lê-nos aqui, no website. 91,5% dos inquiridos – 70,2% com idades entre os 30 e os 60 anos, 88,4% residentes em Coimbra e 53,9% nascidos no concelho – respondeu que nos acompanha porque gosta de estar a par da actualidade local e porque temos histórias interessantes. 97,3% também concorda plenamente que o activismo cidadão é fundamental para a melhoria da nossa sociedade e cerca de 78,5% dos inquiridos considera que o trabalho da Coimbra Coolectiva é determinante para a melhoria do sentimento de orgulho e autoestima da comunidade. 91% estão convictos de que é determinante para a visibilidade e o conhecimento das iniciativas locais.
Estes são os 5 temas que consideram mais relevantes para o concelho e que a Coimbra Coolectiva deve abordar em 2024:
👉 Mobilidade
com destaque para os transportes públicos, ciclovias e metrobus
👉 Desenvolvimento económico, emprego e ecossistema empresarial
👉 Ambiente
com ênfase na sustentabilidade, protecção do arvoredo, mas também manutenção e dinamização dos espaços verdes
👉 Cultura e património
sobretudo no que toca à divulgação da oferta e actividades/equipamentos para as crianças
👉 Habitação
Seguem-se a cidadania, o planeamento urbano, o turismo, a pobreza e a limpeza das ruas e terrenos, onde se inclui uma forte preocupação com os edifícios abandonados e degradados. Há quem mencione a atenção às periferias e a preocupação com a união cultural e identitária de Coimbra.
Politicamente, há quem refira uma «ditadura municipal» a combater, nomeadamente através de uma maior participação dos munícipes nos assuntos locais e até um apelo a um certo «bairrismo». Desejam-se políticas municipais diferenciadoras e pede-se um acompanhamento próximo do cumprimento de obras públicas.
A Universidade é mencionada duas vezes e numa delas é sublinhada a diminuição da sua relevância. A educação, a saúde, a segurança, a interculturalidade, as comunidades minoritárias, a diáspora e a requalificação da Baixa também são enumeradas mais do que uma vez.

A opinião daqueles sobre quem falámos
Não podíamos fazer uma boa avaliação de impacto sem o testemunho das pessoas envolvidas em organizações, movimentos ou grupos de cidadãos – os projectos cool – sobre os quais escrevemos. As duas dezenas que nos responderam afirmam que a história publicada pela Coimbra Coolectiva foi útil para o seu projecto.
Cerca de 70% dos inquiridos afirma que a publicação da história sobre o projecto teve impacto no seu funcionamento e foi imediato ou demorou apenas alguns dias. Além da visibilidade, que é consensual, refere-se aumento do número de voluntários e de contactos a pedir informações.
«As pessoas ficam mais encorajadas em falar connosco, traz validação ao projecto e às nossas suas actividades»
Inquirido/a
Quem consegue quantificar, refere aumentos de 30% nas vendas, por exemplo, no caso de negócios, bem como subscrição de newsletters e aumento de seguidores nas redes sociais. Muitos inquiridos admitem usar as reportagens como cartão de visita. 90% concorda que contribuimos para a consciencialização do contributo individual na construção de um concelho mais sustentável e os inquiridos são unânimes na ideia de que somos um projecto inovador e que contribui para a melhoria do sentimento de orgulho e autoestima da comunidade local.
Quanto a temas mais relevantes, a mobilidade também é a mais mencionada, seguida da cultura e ambiente. Também são referidas a economia circular, transparência e proximidade do executivo municipal, desigualdades, participação cívica e educação, inclusão e direitos das pessoas com deficiência e empreendedorismo social.

Outras iniciativas
Ao longo do ano, não só participamos em diversos momentos, desde aulas a congressos, palestras, competições e festivais, como organizamos iniciativas sempre com transmissão de conhecimento, esclarecimento e a dinamização e construção de comunidade na calha. Algumas iniciativas geram histórias e assim conseguimos o que gostamos de chamar a circularidade do nosso trabalho.
👉 Speed Meetings
Já fizemos três e perguntámos a quem participou o que tinha achado. 13 responderam e 23% afirma que repetiu a dose, mas 53% diz que apesar de não ter repetido gostava de o fazer. Metade (6) diz que participou por curiosidade e a outra metade (6) para conhecer pessoas novas. Há também quem diga que quis «desafiar a tendência de querer ficar num meio confortável e conhecido, conhecer as histórias de vida de outras pessoas». A maior parte considera o Speed Meeting bom e mesmo «revitalizante», e metade dos inquiridos conta que manteve contacto com pessoas que conheceu, alguns até formaram novos grupos de amigos.
👉 Debates
Organizámos a conversa aberta à comunidade Que futuro queremos para o Mercado?, no Mercado Municipal D. Pedro V, e fomos a Lisboa moderar O futuro do packaging, a convite da empresa local The Loop co.
👉 Visita guiada
A jornalista Vilma Reis deu corpo e voz à sua reportagem Um passeio feminino por Coimbra e quatro mulheres extraordinárias n’Um passeio feminino em Coimbra, no âmbito do Festival Política
👉 Biblioteca humana
Convidámos pessoas da comunidade para serem «livros» e contarem a sua história no âmbito do Festival MATE e foi um grande sucesso, com cerca de 40 participantes
👉 Pontos de Encontro
Já nos encontrámos no Seminário Maior de Coimbra, numa Matinée da Casa das Artes Bissaya Barreto e no Centro de Artes Visuais

Histórias com impacto
Não são só as acção, as histórias também têm impacto e 10 foram distinguidas com prémios, este ano.
Logo no início de 2023, foi através de nós que mais de 60 mil pessoas souberam que o TUMO ia abrir em Coimbra. Não só revelamos como contámos a história completa do importante investimento público-privado e do envolvimento das pessoas que o tornaram possível, propondo-se a abrir uma inovadora porta gratuita para a educação e motivação dos mais jovens.
Também contámos, por exemplo, que havia quase 700 mil estrangeiros a residir em Portugal, cerca de 30% brasileiros e dois milhares deles em Coimbra. Falámos com Amire Tauli, fundadora do grupo Amigos em Coimbra, que considerou tão importante a atenção que demos ao assunto e ao nosso trabalho em geral que fez uma homenagem pública à Coimbra Coolectiva no seu Encontro Anual de Empresários.
Como temos a mobilidade como uma das maiores preocupações da cidade, publicámos várias histórias sobre o assunto e colocámos na agenda do município questões como o transporte de bicicletas no futuro metrobus. A Metro Mondego garante que o assunto está a ser ponderado, nomeadamente em colaboração com o grupo – e projecto cool – Coimbr’a Pedal.
Em Maio, fomos os únicos media a divulgar e cobrir a primeira Kidical Mass, co-organizada pelo projecto cool Coimbr’a Pedal, que foi reactivado este ano, e que contou com a surpreendente participação de mais de uma centena de pessoas, entre elas muitas jovens famílias.
Lembram-se de como começámos o ano? Com prognósticos. Perguntámos a dezenas de pessoas como achavam que ia ser a Coimbra de 2023. Convidámos à reflexão, à discussão, à inspiração e idealmente à intervenção através da partilha nesta senda de construção de melhorar o lugar onde vivemos e 47 responderam. Catarina Maia, por exemplo, disse que Coimbra ia ser «uma cidade mais florida» e fez por isso. Depois de contarmos a sua história, nasceu o Jardim Mais Formoso que tem mobilizado a comunidade e trabalhado no sentido de tornar a cidade mais verde.
Financiamento e parceiros
É graças a vocês, leitores, e a outros colectivos que se identificam com a nossa missão, que conseguimos fazer este nosso trabalho de informar de forma rigorosa sobre assuntos que interessam, cativar leitores para se envolverem naqueles que mais lhes importam e escrutinar quem governa. Também somos uma montra da vida de Coimbra, fonte de inspiração para o desenvolvimento de projectos e para a atracção de famílias.
Fazemos tudo isto com o apoio da própria comunidade e executando o nosso plano de sustentabilidade financeira, que contempla várias técnicas de angariação de fundos que complementam as contribuições voluntárias, que é possível fazer a qualquer momento aqui.
Acreditamos que só desta forma podemos funcionar de forma totalmente isenta e transparente. É possível consultar aqui como gerimos e gastamos todo o dinheiro que recebemos, informação que vai sendo actualizada no final de cada ano civil.
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